O grande obstáculo nos processos de divórcio e inventário é a localização desses ativos. Diferente das contas em bancos convencionais, que são facilmente rastreadas pelos sistemas de busca do Judiciário, as carteiras de criptomoedas e as corretoras internacionais exigem medidas investigativas específicas e ordens judiciais direcionadas para que o saldo seja revelado e bloqueado.
Apesar da complexidade tecnológica, os tribunais brasileiros já consolidaram o entendimento de que os bens digitais possuem valor econômico e devem integrar a partilha obrigatoriamente. A tentativa de um dos cônjuges ou herdeiros de ocultar esses ativos caracteriza sonegação patrimonial, conduta grave que pode ser penalizada com a perda do direito sobre o próprio bem ocultado, além de outras sanções legais.
Portanto, lidar com a sucessão ou a dissolução conjugal na era digital exige uma atuação jurídica estratégica e atualizada. É fundamental adotar as ferramentas processuais adequadas para rastrear a totalidade do patrimônio, garantindo a transparência e assegurando que a divisão dos bens ocorra de forma justa e integral.